Esse projeto me ensinou que Discovery bem feito é, em si, uma entrega de valor — independente do que vem depois.











2º lugar no Autism Tech. Um protótipo completo. E uma forma diferente de pensar sobre inclusão.
- 2º lugar no Hackathon Autism Tech 2020
- Discovery completo: entrevistas qualitativas, desk research quantitativo, personas, empathy map, canvas de proposta de valor, jornada AS IS e fluxograma de MVP
- Protótipo de alta fidelidade entregue com fluxos de acesso, onboarding, perfil, vagas e monitoramento
- Projeto encaminhado para fase de captação de recursos após o hackathon — não chegou a ser desenvolvido
O Abilitiex não foi ao mercado. Mas o que esse projeto prova não depende do lançamento: ele prova que consigo conduzir Discovery com rigor em um contexto de altíssima restrição de tempo, com um público que exige empatia técnica real — não só boas intenções — e entregar uma solução estruturada e prototipada que convence especialistas.
Candidatos autistas querem trabalhar — mas os processos seletivos não foram feitos para eles.
O Abilitiex começou como trabalho acadêmico de um colega, e eu entrei como UX/UI Designer freelancer para dar forma visual e estrutural à ideia. Quando levamos o projeto ao hackathon Autism Tech — com o tema de soluções para inclusão de pessoas no espectro autista no mercado de trabalho — já tínhamos uma base de pesquisa real para trabalhar.
O problema era duplo e assimétrico: do lado das pessoas autistas, 85% desempregadas, medo de preconceito, processos seletivos que tratam candidatos neurodivergentes como neurotípicos, sensibilidades sensoriais ignoradas. Do lado das empresas, escassez de profissionais qualificados — especialmente em tecnologia — e despreparo real para incluir e reter profissionais autistas além da cota legal.
Não era falta de vontade de trabalhar. Era falta de um processo que fizesse sentido para quem é diferente — do candidato e da empresa.
Entrevistamos especialistas, RH, pessoas autistas — e tínhamos 3 membros da equipe no espectro. Isso mudou tudo.
Antes de abrir o Figma, o time conduziu entrevistas com especialistas em psicologia, recursos humanos e pessoas no espectro autista — incluindo ex-Asperger. No hackathon, tivemos acesso a especialistas adicionais e a algo raro: três membros da nossa própria equipe tinham autismo em grau leve, o que trouxe perspectiva interna que nenhuma entrevista substituiria.
Com desk research quantitativo e entrevistas qualitativas, mapeamos as dores dos dois lados do problema e as estruturamos em dois grupos distintos — empresas e pessoas autistas — com seus próprios padrões de necessidade, medo e comportamento.
Dores das Empresas
→ Escassez de profissionais qualificados (especialmente em tech)
→ Despreparo para incluir autistas além da cota
→ Falta de clareza sobre onboarding e convivência profissional
→ Inclusão que “faça sentido” — não só cumpra quota
Dores de Pessoas Autistas
→ 85% desempregadas, 77% querem trabalhar
→ Tratadas como neurotípicas em processos seletivos
→ Sensibilidade sensorial e infraestrutura inadequadas
→ Medo de preconceito ao se declarar autista
→ Falta de clareza nos processos e comunicação interna
→ Famílias preocupadas com o futuro profissional dos filhos
Definimos o problema com precisão antes de propor qualquer solução. Depois, refinamos tudo que já tinha sido trazido ao projeto.
Com as dores mapeadas, definimos o problema central com clareza: candidatos autistas querem trabalhar, mas precisam de ajuda para entrar numa empresa e ser alocados nas posições que melhor combinam com seu perfil — não nas que sobram. A solução foi um match-maker entre candidatos autistas e empresas genuinamente preparadas para incluí-los, com gamificação e onboarding adaptado para ambos os lados.
No hackathon, refinamos os frameworks de Discovery já existentes — Mapa de Empatia, Proposta de Valor, Persona, Jornada do Usuário e Fluxograma do MVP — e a partir daí entramos na fase de design. Recebemos orientação de especialistas em design de negócios e acessibilidade, o que nos levou a tomar uma decisão importante: redesenhar toda a identidade visual do projeto para ser mais simples, inclusiva e intuitiva — mais cores, botões maiores, abordagem mais acessível em todos os sentidos.
Desenhei os fluxos principais do app — do acesso ao acompanhamento do processo seletivo.
Na fase de design, fui responsável pelos fluxos centrais do aplicativo: acesso e login, onboarding de cadastro do candidato, área principal com perfil, área de vagas para candidatura, e área de monitoramento do processo seletivo em tempo real. Os protótipos evoluíram de wireframes manuais para alta fidelidade — com atenção constante às especificidades de acessibilidade que o público exigia: hierarquia visual clara, linguagem simples, feedback imediato, ausência de sobrecarga sensorial.
Ao final, o time montou um pitch com user stories e roadmap do produto, apresentando a solução completa para os avaliadores do hackathon.
Reflexão
“Trabalhar com um público que o mercado ignora sistematicamente me forçou a questionar cada premissa de design que eu tinha. Acessibilidade real não é uma checklist — é uma decisão de produto que começa antes da primeira tela.“
Doug Calebe
Em 2020, em plena crise de saúde, em 72 horas, com um time diverso e um problema complexo: esse projeto resumiu o que mais valorizo no trabalho com produto — entender profundamente antes de propor qualquer solução.
