Cada módulo que recebi tinha regras de aviação civil por trás. Meu trabalho não era só desenhar a tela — era entender a regra o suficiente para não errar o fluxo.
UX Strategy • Aviação Civil • SaaS • B2B • Cliente EUA • Multi-módulo
Nome do produto e do cliente alterados por acordo de confidencialidade. Detalhes reais disponíveis em entrevista.
Um produto inicial com tração de mercado, precisando crescer em funcionalidade sem perder consistência.
AeroTrace era uma plataforma SaaS de gestão de aeronaves desenvolvida para o mercado americano — usada por proprietários de frota, pilotos e mecânicos para rastrear manutenção, conformidade e operações em tempo real. O produto já existia e vinha sendo apresentado pelo seu fundador nas principais feiras de aviação dos Estados Unidos. O desafio não era resgatar um produto em crise — era expandir um produto em crescimento com novos módulos, sem abrir mão da consistência de uso.
A consultoria onde eu trabalhava era responsável pelo desenvolvimento técnico da plataforma. Eu fui alocado como UX Designer sênior do projeto — o profissional de design de maior senioridade disponível para esse cliente — e atuei em diferentes módulos ao longo do tempo, sempre dentro do mesmo ecossistema e das mesmas regras de negócio de aviação civil americana.
Atuei em cinco frentes distintas dentro de um único produto. A complexidade não era a variedade — era a consistência entre elas.
O dia a dia era regulado pelas demandas do fundador, que já conhecia profundamente o mercado e trazia pedidos de novos módulos com frequência. Cada módulo tinha suas próprias regras de negócio — muitas delas derivadas de normas reais de aviação civil americana — e meu papel era traduzi-las em fluxos de UX funcionais, práticos e consistentes entre si.
Módulos em que atuei
Fleet Scheduler
Agendamento cruzado e síncrono de aeronaves, pilotos e instrutores,
com restrições complexas de disponibilidade e conformidade.
Event Maintenance
Registro de manutenção periódica por aeronave, com granularidade
até o nível de componente único (ex: hélice, conjunto de peças,
sessão completa). Cada registro seguia regras bem definidas de
cálculo por horas de voo.
Tracking de Logs
Visualização em tempo real de todos os eventos lançados no sistema,
com scroll automático e cartões cronológicos para rastreabilidade
contínua de operações.
Métricas Customizadas
Adição de camadas de métricas personalizadas além do padrão do sistema —
permitindo que cada operador de frota configurasse seus próprios
indicadores de acompanhamento.
Documentação de Produto
Estruturação da documentação interna dos módulos já em produção,
para que times de engenharia e suporte pudessem entender,
manter e evoluir o produto com clareza.
Nos intervalos entre módulos, realizei levantamentos de melhorias de UX a partir de análise de usabilidade do produto existente — identificando inconsistências entre módulos desenvolvidos em momentos diferentes, sem um processo de design estabelecido desde o início.
As demandas chegavam direto para a engenharia. Sugeri um checkpoint que mudou isso.
Identifiquei que pedidos do cliente chegavam direto à engenharia, sem validação de produto — um padrão que gerava retrabalho silencioso. Junto ao PM, sugeri e implementamos ciclos de prototipagem rápida de 2 dias: antes de qualquer demanda ir para código, passava por um protótipo testável. Não foi uma mudança estrutural do produto — foi uma mudança de processo que protegeu o orçamento técnico e reduziu retrabalho de forma consistente.
Aviação civil tem vocabulário próprio. Aprendi com fontes reais antes de desenhar qualquer tela.
Não havia documentação de produto consolidada para guiar os fluxos — o conhecimento estava distribuído entre o fundador, a engenharia e as normas de aviação civil americana. Para preencher essa lacuna, pesquisei manuais e documentos técnicos reais de aviação civil americana, conduzi entrevistas com mecânicos locais para validar como os processos de oficina acontecem na prática, e participei de reuniões diretas com o fundador americano — o que exigiu desenvolvimento ágil de vocabulário técnico em inglês para acompanhar e transformar pedidos em decisões de UX.
Reflexão
“Trabalhar num produto de aviação civil americana me forçou a desenvolver algo que poucos designers cultivam intencionalmente: disciplina de domínio. Você não consegue desenhar um fluxo de manutenção de aeronave sem entender por que aquela regra existe.”
Doug Calebe
Em ambientes técnicos e regulatórios, a qualidade do UX depende diretamente da profundidade com que o designer entende o negócio e não só a interface.
Cinco módulos entregues. Um produto mais consistente. Um processo de design estabelecido onde não havia nenhum.
- Cinco módulos de UX desenhados dentro de um único ecossistema de regras de negócio de aviação civil americana
- Ciclos de prototipagem de 2 dias implementados, reduzindo retrabalho de engenharia de forma consistente
- Produto com presença contínua nas maiores feiras de aviação dos Estados Unidos durante o período de desenvolvimento
- Documentação de produto estruturada para sustentação de times técnicos após entrega dos módulos
O produto já tinha tração quando cheguei. O que eu trouxe foi consistência de processo e de experiência — garantindo que módulos novos não fossem ilhas desconectadas dentro de uma mesma plataforma.
Quer ver como aplico esse mesmo raciocínio em outro contexto?
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